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O CANGAÇO EM FOCO
Desde: 28/02/2011      Publicadas: 854      Atualização: 09/11/2013

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 ARTE & CULTURA DO CANGAÇO

  12/09/2012
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Memórias do cangaço na pisada de Lampião

O Grupo de Teatro e Xaxado Na Pisada de Lampião, criado em Julho de 1997 por Beto Patriota, Raimundo Cavalcante e Dionízio Cruz, surge como mais uma iniciativa em prol de manter vivas memórias do cangaço no município. Através do xaxado, dança que surge dentro do próprio cangaço, o grupo apresenta ao público um pouco das memórias passadas de pais para filhos ao longo do tempo.

Memórias do cangaço na pisada de LampiãoMemórias do cangaço na pisada de Lampião
Por Jéssica da Silva Souza.

Localizado a 184 Km de Aracaju, Poço Redondo, município do sertão sergipano, carrega marcas muito fortes do cangaço em sua história. A morte de Lampião na Grota do Angico, a 28 de Julho de 1938, não pôs o cangaceiro e seu bando no esquecimento. Pelo contrário, trouxe diferentes formas de apropriação de sua memória pela população da região. O Grupo de Teatro e Xaxado Na Pisada de Lampião, criado em Julho de 1997 por Beto Patriota, Raimundo Cavalcante e Dionízio Cruz, surge como mais uma iniciativa em prol de manter vivas memórias do cangaço no município. Através do xaxado, dança que surge dentro do próprio cangaço, o grupo apresenta ao público um pouco das memórias passadas de pais para filhos ao longo do tempo.

Dança guerreira, o xaxado normalmente com estrofes improvisadas que falavam de situações do cotidiano da experiência do cangaço, geralmente carregava nas letras das músicas críticas à conjuntura social e política da época. No cangaço, estava ligada ao lazer, dançava-se em comemoração, por exemplo, à vitória em uma batalha contra uma volante. Sendo tipicamente masculina, pois no início não havia mulheres nos bandos, dançavam seguindo em fila indiana formando também figuras geométricas e colunas. Sempre armados, se divertiam geralmente ao som de algum instrumento musical ou somente ao das alpercatas de rabicho, junto com a marcação feita em seus rifles. O passo do xaxado, chamado de "pisada", envolvia vários movimentos com os pés num rápido e deslizado sapateado.

Segundo Beto Patriota, um dos fundadores e atuais coordenadores do Grupo de Teatro e Xaxado Na Pisada de Lampião, eles buscam reproduzir a dança o mais próximo possível de como ela era na época do cangaço, mas também inovam e usam bastante a criatividade para criarem as coreografias. As músicas trazem em suas letras as mais variadas situações referentes ao cangaço ou tão simplesmente à vida do sertanejo, com sua religiosidade e crenças. Músicas bastante conhecidas como "Mulher Rendeira", "Ave-Maria sertaneja" e "Cavalos do cão" compõem o repertório do grupo. E não somente isto, eles também se utilizam de encenações teatrais em suas apresentações. Cada um deles recebe o nome de alguns dos cangaceiros que pertenceram ao bando de Lampião, como por exemplo, Rogéria e Serginho que tem como personagens "Maria Bonita" e "Lampião", e ainda Marcos, que representa o cangaceiro "Corisco". Assim, a trupe monta cenas que geralmente divertem bastante o público pelo seu caráter cômico na representação dos "causos" contados sobre o bando de Lampião.

Através da dança, músicas e encenações, o grupo expressa a importância de Poço Redondo no cenário da história do cangaço. Isto permeia suas apresentações, onde buscam afirmar esse momento da História como parte de sua cultura. Assim, a memória do cangaço surge não apenas como lembranças, mas como um dos fundamentos da identidade dos moradores do município. Dentre os temas recorrentes, é possível destacar também a figura do sertanejo, mais especificamente do cangaceiro, como um homem valente, destemido, um homem que anda sempre armado para se proteger, e cuja valentia é motivo de honra e não de vergonha.

A figura da mulher cangaceira também é explorada pelo grupo, uma mulher que desafiava uma sociedade machista e conservadora. A cangaceira quebra o estereótipo da mulher comportada da época, mulher que não deveria pegar em armas e também nunca levantar a voz para ninguém. Outro tema abordado é a religiosidade. Os componentes entram em um momento de oração e se expressam no tocante a representar crenças do bando de Lampião. Há ainda a representação de festas, momentos de lazer, refeições e outros temas ligados ao cangaço.

Embora ainda haja uma grande disputa em torno das memórias do cangaço no tocante a figura de Lampião como herói ou bandido, o grupo teatral sertanejo está mais voltado para a apropriação dessas memórias como algo constitutivo de sua cultura. É inegável que Poço Redondo assumiu um lugar considerável no palco da história do cangaço. Na pisada de Lampião, os artistas locais afirmam isso através da música, da dança e do teatro, enfim, da arte.

*Jéssica da Silva Souza é bolsista PET-História e graduanda em História pela UFS. O artigo integra as colaborações à coluna do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/CNPQ/UFS).
  Autor:   Jéssica da Silva Souza


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